
Quem acompanha as manhãs de domingo na televisão sabe que o ambiente rural, o cheiro de café passado na hora e o som da viola têm um endereço certo. Sob o comando do cantor Daniel, o programa Viver Sertanejo, gravado no cenário acolhedor de sua fazenda em Brotas, no interior de São Paulo, tornou-se um verdadeiro fenômeno de audiência e crítica. Mas se o formato resgata a simplicidade das nossas origens, a engrenagem que tem feito o coração do público bater mais forte tem nome, sobrenome e voz: a força das mulheres.
O "feminejo" deixou de ser apenas um movimento passageiro para se consolidar como o pilar mais vibrante da música sertaneja atual. Sabendo disso, Daniel abriu as porteiras de sua casa para receber a "muierada" que está escrevendo os novos capítulos dessa história.
Um dos grandes destaques recentes da temporada foi a participação do projeto Resenha da Muierada. Reunindo três duplas femininas expoentes do sertanejo paranaense — com forte ligação e base na cidade de Londrina —, as meninas levaram para a tela da Globo a autenticidade de quem constrói a carreira na estrada e na raça.
À beira do clássico fogão a lenha, o bate-papo fluiu sem roteiros engessados. Elas compartilharam com o anfitrião os desafios do início da carreira, a virada de chave proporcionada pelas redes sociais e o peso de carregar o legado de pioneiras. O ápice do encontro, claro, foi a música. A interpretação conjunta de "Graveto" emocionou quem estava no set e arrancou elogios do próprio Daniel, que não escondeu a admiração pela afinação e entrega das jovens artistas.
"A presença dessas meninas no domingo de manhã mostra que o sertanejo não é apenas sobre o passado, é sobre o futuro brilhante que elas estão construindo agora." — Daniel, durante a gravação em sua fazenda.
A curadoria do programa tem sido cirúrgica ao misturar a bagagem de grandes lendas com o frescor da nova safra. O público já testemunhou momentos históricos, como a grandiosa Fafá de Belém dividindo os microfones com Lauana Prado em uma versão arrebatadora de "Nuvem de Lágrimas".
Em outros episódios, nomes como Maiara & Maraisa, Mari Fernandez, Naiara Azevedo e Luiza Martins deixaram de lado o glamour dos grandes palcos para vivenciar o dia a dia da roça. Teve pescaria, culinária afetiva e histórias de infância que humanizam as estrelas que arrastam multidões.
Ao abrir espaço para que essas mulheres mostrem não apenas sua música, mas suas trajetórias de liderança e resiliência, o Viver Sertanejo acerta em cheio. O domingo de manhã voltou a ser o horário oficial da família brasileira, provando que a tradição caipira segue viva, pulsante e, acima de tudo, devidamente comandada pelas mulheres.
Para quem perdeu ou quer rever esses momentos que já entraram para a história da nossa música, os episódios completos estão disponíveis na plataforma de streaming Globoplay. E nós, aqui do Jornal Galera do Chapéu, seguimos de olho e aplaudindo de pé o espaço merecido da nossa gente na TV.